quinta-feira, janeiro 15

Ansiedade

- 2008 em números -

6 marca-textos
Cerca de 300 (ou mais!) folhas para anotações
1 bloco com 150 Post-It's
Cerca de 1000 (ou muito mais!) exercícios resolvidos
Litros e mais litros de água, café e chá verde
Cerca de 2 cartelas de Anador
58 posições diferentes para estudar
365 (ou mais!) preces para me concentrar
1 borracha
5 canetas Bic
2 caixinhas de grafite 07
Centenas de Tarefas Mínimas e Complementares
Entre muitas outras conseqüências de HORAS E HORAS E HORAS de estudo!

2008 foi o ano que, de longe, eu estudei mais.

Horas em cima de exercícios, centenas de livros, livros e livros, esquemas loucos para decorar Biologia, regras cômicas para lembrar de Química, milhares de exercícios!

Enfim, tive meus métodos. E tive as minhas chances para mostrar que todo esse esforço causou um resultado bom. Agora, um antigo sentimento está me arrebatando: a ansiedade.

Sou muito ansioso. Muito.
Minha ansiedade é mental. Não consigo controlar. Tento desviar minha atenção para certa atividade, mas lá está ela, me lembrando que o resultado sairá daqui a 14 dias.

O resultado.
Vamos falar sobre ele.
Minha vida, com certeza, mudará depois dele. Se for aprovado, mudarei de cidade, de grau de estudo. Se não, será um ano intenso. Com todos aqueles números lá em cima do post multiplicados por 2 (o que não é pouco).

Ai, ai... Esse resultado, viu. 14 dias.
14.
Dias.
De.
Ansiedade.
Pura.
E.
Sublime.

14. Dias.

Como eu queria um resultado antes!

sábado, janeiro 10

Índia e Eu

Desde pequeno, sempre tive um lado transcedental.
Sempre gostei de magia, de coisas fantásticas e incríveis.
E sempre, sempre, fui apaixonado pela Índia.

Hoje de tarde, assisti um filme que marcou, mesmo que seja de uma forma inconsciente, a minha infância. Ele mostrava a estória de uma garota que foi deixada numa escola de boas maneiras na Inglaterra, enquanto seu pai foi combater na 2ª Guerra. Eles, antes de mudarem para Londres, moravam na Índia, local onde a garota tirou inúmeros contos que, cá pra nós, são interessantíssimos.

Enfim... O filme é bonito e tudo, mas ele resgatou em mim o faz-de-conta. Ahh... Como era bom brincar de faz-de-conta!! Sério... Eu adorava. Passava a tarde e a noite inteiras brincando disso com o pessoal da rua.

Uma hora éramos comissários de bordo, num avião que caía numa ilha deserta; outra, éramos empresários ricos que andavam de limusine; outra, éramos cientistas... Era muito bom.

E esse passado, hoje, parece tão distante. Tão onge dessa batalha de Universidades, de anseios, de valores. Mergulhei numa piscina de ideologias, onde animais desfigurados querem a minha cabeça. Enquanto a imaginação era o começo do meu trampolim, do meu porto seguro. Onde eu só admirava, lá de cima, aquela piscina movimentada chamada Vida.

Eu vivia, é claro. Mas não estava vivendo no mundo que a maioria das pessoas vivem. A Piscina.

Queria escalar meu trampolim, e de lá não sair. Não queria mergulhar ainda mais fundo. Mas ando percebendo que existem salva-vidas nesse mundo tão encharcado de interesses e ganância. Queria estar alheio a isso. Queria perceber que essa piscina, na verdade, poderia ser um tanque de águas calmas e gentis, onde o Respeito prevalecesse.

Mas voltando à India. Adoraria conhecer mais sobre a cultura, culinária e deuses. É um povo pobre. Mas riquíssimo. Entende?

A profusão de dourados, vermelhos, laranjas, amarelos. Enfim, com aquele azul impactante da pele dos deuses. Tudo na Índia é sacro. Tudo é minucioso, cuidadoso. Tudo é tão... Tão perfumado, tão diferente.

Amo-te Índia.

Serás meu 2º destino, quando sair do Brasil.
O 1°? Continue a ler.

sexta-feira, dezembro 5

Idealizações e a Realidade

Um dia desses estava andando na rua, sem fones de ouvido, concentrado nos meus próprios pensamentos. Mas nada de muito positivo. Na verdade, eram pensamentos de insatisfação.

"Ahh, como eu queria ser rico!"

"Ahh, como eu queria ir no show da Madonna!"
"Ahh, como eu queria um iPod, um notebook, um Ray-Ban, um apartamento legal, um New Beatle preto, um labrador..."

E eu parei. Parei, literalmente. Me deparei com uma moça, acho que um pouco mais nova do que eu, com uma criança no colo.

- 'favor moço, cê num tem um troco pra eu comprá um leite pro meu filho?

E eu fiquei sem reação. Tinha R$ 5,00 na minha carteira.

- Me desculpe, mas isso é tudo o que eu tenho - respondi, com uma angústia, uma vontade de pegar aquela menina tão judiada, tão coitada, e ajudá-la.
- Deus abençoe...

E eu continuei parado, com olhos d'água, me sentindo a pessoa mais egoísta e mesquinha do mundo. Como eu não ajudava todas essas pessoas? Como eu, que sempre me considerei alguém caridoso, pude ficar tão desconectado assim da realidade.

Sei que o Espaço no qual passamos é o palco de muitas realidades distintas. As ruas nas quais carros importados passam, são as mesmas que pessoas sem futuro e perspectiva se encontram perdidas, pensando no que farão para conseguir se alimentar, persistindo numa vida de penúria.

Esse episódio puxou um conhecimento que há tempos estava guardado dentro de mim, devido à correria e à preocupação com o meu futuro.

Lembrei que Gratidão é algo essencial na nossa vida. Temos que nos voltar para nós mesmos, através de uma oração, ou meditação, para perceber o quanto somos abençoados e afortunados por termos um sentido para nossas vidas, uma casa que podemos voltar depois de um trabalho que, felizmente, executamos.


Acho muito importante sonhar. Os nossos sonhos são o combustível para que continuemos na batalha, em lutar. Mas não podemos idealizar.

Idealizar algo é ignorar as oportunidades que a Vida nos oferece. É ser egoísta e imaturo. É não ter o mínimo de gratidão. Quando idealizamos, por exemplo, que o carro perfeito é uma Ferrari, inconscientemente, excluímos outros que, tecnicamente, servem para a mesma coisa: locomoção.

O limiar entre o sonho e a idealização é muito tênue. Tão tênue a ponto de eu duvidar que você, Leitor, captou a mensagem que tentei passar.

Sonho é desejar algo, é usá-lo para lutar e vencer.
Idealizar é excluir o que a Vida nos proporciona.

Idealização tem a ver com status. E status tem a ver com Orgulho. E Orgulho tem a ver, na minha concepção, com uma espécie de escudo para proteger um interior de vidro e cinzas, tão sensível, tão baixo estimado.

Portanto, pare de idealizar e comece a sonhar. Se abra para as oportunidades que a Vida lhe dá. E as aceite, sem pestanejar, sem reclamar. Jogue o Orgulho no lixo, e lembre-se que, enquanto você pensa em iPod's, notebooks, Ray-Bans, apartamentos, carros e Labradores, existem pessoas, bem ao seu lado, necessitando de comida para que seu filho consiga sobreviver.

quarta-feira, novembro 26

Nuvem


Nuvem
De puro creme branco e puro
De doce toque e de doce cheiro
Me leva daqui, num único devaneio.

Nuvem
Teu toque me lembra de dias de sol
De dias de mar, de dias de dor.
Dias próximos de, talvez, amor.

Nuvem
Tua voz me alucina,
Teu sabor é magno,
Tua peste, tua praga, teu leve escárnio.

Nuvem
Ouça-me sempre que chamar
Resgata-me e me leve longe
Longe de tudo isto que irei passar.

E Nuvem,
Não ligue para o meu pranto
E nem para a minha dor e solidão
Todos esses são filhos do desencanto e da minha desilusão.

sexta-feira, outubro 31

Amor Instantâneo

Não sei se já amei.
Se já, não fora como os muitos relatos que canso de ver.

Não senti pernas bambas, taques cardíacos.
O máximo foi um exulto de felicidade comprimida com uma emoção muito forte.
Mas amor... Amor, não.

E fico aqui pensando se nasci para o amor.
Para ser amado, para amar. Plenamente.
Será que essa vida não passa de uma viagem árdua e solitária, cujo o único destino é o desconhecido?

Paixões, dessas de carne, já tive muitas.
Depois de algumas vezes, você cansa.
Não completa mais. Não preenche mais. Você precisa de mais.


Precisa do carinho, da atenção, de cuidados.
Precisa partilhar seus planos, suas idéias, seus ideais...
Mas acho que não encontrei a pessoa certa para isso.

Que Deus (oh! isso sôoa tão católico!), ou Buddha, ou Rá, ou qualquer nome que dêem para essa força, possa me dar a felicidade de saber que estou errado.
O amanhã é um dos motivos da minha ansiedade.
Quero me ver amanhã.
Quero ver o que acontecerá.

Não espero as coisas acontecerem.
Sou ansioso demais.
E, talvez, seja por isso que eu mergulho em relacionamentos.
E é por isso que me magôo tanto...

Preciso desse remédio.
Dessa ambrosia.
Desse bálsamo.
Dessa cura.
Desse ser.

E o caminho para alcançá-la é o mais irritante: a paciência.

Alguém tem uma crystal ball por aí??

quinta-feira, outubro 30

Poema das Cinzas

Escrito durante a aula de Física.

"Grito no silêncio dos meus dias sombrios e escuros.
Passo as horas vendo a leve deposição dos fatos.
Uma fina massa de intrigas e interesses ficam na comunhão dos pecados alheios.
E o riso de escárnio se arrasta pela multidão, assombrando-a.
Os pilares de nossas convicções singelas e concretas
Se desfazem em grãos de incerteza e lamúria.
Nossas vidas não podem ser mais sustentadas.
Acomodam-se nas costas da realidade.
E, talvez, o acaso, por descaso,
Nos fada a encará-la.
A doce,
A cruel,
E a forte
Verdade."

quarta-feira, outubro 29

Organização e Horários

No mundo agitado em que vivemos, a necessidade de planejamento é indispensável.
Juro que eu adoraria ter agenda, planejar meu dia, horários, tarefas, ligações, almoços...
Enfim... Essas coisas de gente grande.

Eu até consigo criar o planejamento. Vejo o horário de cada tarefa. Planejo com minúcia.
Mas não consigo seguir. Pelo menos, não depois das 2 primeiras semanas. RESULTADO: mil post-its espalhados pela casa, e a mão cheia de recados em caneta bic.

Confesso que eu não me dediquei muito. Não fui persistente.
Mas um dia eu chego lá! Estudarei todos os dias. Correrei todos os dias. Vou ler os livros do Kafka e Jostein Gaarder diariamente... E ainda conseguirei baixar as músicas que eu quero!

O meu problema é que eu quero fazer mil coisas ao mesmo tempo. Queria estudar mais. Ficar mais na Internet. Conhecer mais pessoas. Rir mais. Ler mais. E não dá!

E, como bom Taurino, sempre acabo priorizando aquilo que me trás satisfação. E preciso ser mais Ariano! Saber os meus objetivos. E correr atrás deles com afinco e destreza. Agora, meu maior desejo para 2009 é o de ser organizado. Mas não organizado ao ponto de ter hora pra cagar! ¬¬"

Pois é. Admiro você, leitor organizado. E o invejo. Chegarei ao seu status um dia. :D

E estou feliz por meu blog ter mais leitores! Que bom que muitas pessoas gostam do que escrevo. Continuem lendo! E continuem comentando.

sábado, outubro 18

Paraíso

Ele acordou antes do relógio despertá-lo. Abriu os olhos e espreguiçou-se daquela maneira gostosa. Lançou os olhos em direção à cortina de algodão cru que balançava ao ritmo da brisa do mar.

Calçou aqueles velhos chinelos, pegou aquela velha xícara e requentou aquele velho café de ontem. Bocejou, esfregou os olhos, e foi ao banheiro. Sentou-se, e fechou os olhos, naquele momento de alívio e preguiça. Lavou as mãos, e foi a varanda ver o mar. O céu, daquele mesmo tom de cinza clareado, apresentava-se estranho.

Ele voltou para dentro de sua casa, e colocou aquela música de dias como aqueles: dias preguiçosos. Colocou o café na xícara e o bebericou sentado no sofá pequeno e confortável de sua pequena e confortável sala. Fechou os olhos novamente, e aspirou aquele cheiro inconfundível de café ao som da música. Riu do dia anterior. Riu do amor que foi embora ontem, e que voltaria hoje. E se pegou lembrando da noite passada.

Lavou a xícara. Comeu uns biscoitos. E arrumou um livro desalinhado da estante. Tomou o banho quente, na luz cinza e triste do dia. Lavou-se, e a preguiça escorrera pelo ralo. Voltou ao quarto, vestiu-se, desligou o rádio, e desceu para o quintal, onde o carro o esperava para mais um dia, deixando a cama desarrumada e a toalha molhada em algum canto.

Deu partida. E foi. Andou naquela estrada da encosta em direção àquela pequena cidade onde trabalhava. Lá embaixo, as ondas batiam na escarpada. A espuma soltava o cheiro de mar. E o aroma impregnou no carro. Afastou-se da costa, e cruzou os campos de trigo, onde as velhas olharam-no com aquele sorriso de velhice. Retribuiu com o aceno jovial de sempre.

Chegou. Trabalhou. Tomou decisões. Escolheu. Conversou. Almoçou. Trabalhou. Tomou mais decisões. Escreveu. Riu do e-mail. Respondeu com amor. E lembrou de novo da noite anterior. Um dos únicos raios de sol passou pela vidro polido da branca janela de seu escritório. E pensou na sorte que tinha em estar ali. Em viver com o amor de sua vida. Em viver na casa que sempre sonhara ter. No emprego que sempre quisera ter. E na vida que levava.

Ligou. Marcou no petit caffé do Centro. E ao chegar, seu coração bateu mais forte. Instintivamente, olhou para o espelho. Ajeitou o cabelo, e sorriu em direção a. Sentou confortavelmente.

- "Os pães daqui são ótimos!" - disse.
- "Você acha que marcamos aqui por pura coicidência?".

Ele riu baixinho. Colocou sua mão na mesa. A outra entrelaçou-se a sua. E as alianças faíscaram a mais um raio de sol que iluminara o dia dele. O céu continuava naquele cinza de antes, mas parecia mais feliz. As cores pareciam mais vivas. Tudo era mais real e puro quando estava com o seu amor.

Comeram aqueles ótimos pães. E tomaram um café forte. Ao longe, bem ao horizonte, nuvens anunciavam a garoa. Saíram, e foram na pequena mercearia. Seus olhos registravam preços, e sua mente fazia contas. Comparava. Pensava. E seu amor era alheio. Primava pelo melhor, e sempre o escolhia. Discutiram de forma doce. Riram e chegaram num concenso.

Pensando no que iria cozinhar, ele começou a colocar tudo o que precisava. Macarrão. Tomates. Cebolas. Alho. Temperos. Manjericão. Cenoura. Berinjela. Maçãs. E tudo o que precisaria para a semana.

Compraram e foram para a casa. Cozinharam. Comeram. Conversaram. Riram. Ele leu. Seu amor assistia. Conversaram mais um pouco. Colocaram música. Dançaram. Riram. Caíram no chão coberto pela noite nublada e chuvosa. Fizeram planos de sair dali. Mas ali, tudo era tão perfeito, que logo abandonaram a idéia. Fizeram mais planos. Filhos. Mais alguém além dos dois. Seria tão bom...

Pensaram em nomes. Em móveis. Em espaço. E pensaram em mudar dali. Mas ali, tudo era tão perfeito...

Se amaram, como se fossem únicos, e eram, de fato. Conheciam os corpos um do outro como ninguém. Tudo era tão prazeroso. Tão único. Tão intenso e leve. E dormiram com o cheiro de grama molhada, que invadia o quarto através das frestas da janela de madeira. Ele levantou-se da cama e olhou seu Amor dormindo. Naquele momento de paz, olhou para o céu chuvoso, e numa prece rápida e silenciosa, agradeceu por tudo aquilo.

Esquentou a água, bebeu seu chá. E olhou o relógio na luz noturna da lua minguante que banhava a cozinha. O reflexo das gotas escorria pela parede e pelo relógio.

- "Preciso ir dormir" - dissera ele, baixinho.
- "Então vamos voltar para a cama" - respondeu o seu Amor.

Ele riu de espanto e prazer. E cedeu-se mais uma vez ao prazer pleno de estar com a pessoa que mais amava nessa sua vida. E adormeceu com aquele sorriso nos lábios.

Acordou com o cheiro característico do café preparado pelo seu Amor. Era diferente do seu café. Era mais forte. Ele levantou e ajudou com o café, beijando como sinal de presença. Sorriram com o simples fato de estarem um na presença do outro.

E assim começava um domingo chuvoso no meu paraíso...