segunda-feira, julho 13

Emotivo? Frágil?

Sabe quando você começa a repassar a sua vida? As coisas boas, os momentos de alegria e dor? Lembrar de coisas que você nem sabia que estavam aí, dentro de você? Pois é... Esses dias eu estava fazendo essa viagem interna. Recapitulando as situações cômicas da minha adolescência, as frustações e enroscos do meu crescer. E algumas memórias da minha infância.

Uma dessas memórias mexe comigo até hoje. 7 anos. Eu no banco de trás do carro, e meus pais na frente. Conversando e eu, como sempre, olhando a vida que passava veloz pela janela. Foi quando eu olhei para um mendigo. Roto, sujo e maltrapilho. E o carro parou no farol. E eu continuei olhando para ele, que dormia na calçada. Simplesmente eu abaixei a cabeça e comecei a chorar, de maneira discreta. Acho que chorei por dó, por passividade quanto à situação (embora eu não pudesse definir exatamente o motivo do meu choro).

Isso é ser emotivo. E eu sempre fui. Sempre me comovi com os outros. Tenho uma sensibilidade fora de série.

Outra memória, também da infância: 7 anos (98 foi um ano de muitas lembranças). Pátio da escola. E um menino que eu repudiava, chamado André. Uma dessas típicas pestes, que infernizam as professoras, amolam os coleguinhas e dão dores de cabeça aos pais. Estava brincando no escorregador, e ele entra no brinquedo também. Começa a ser chato, implicante. Reajo, xingo também. Ele revida. E eu choro. Choro por ouvir tudo aquilo, choro pela raiva de se mostrar frágil.

Isso é ser frágil. E eu estou aprendendo a ser forte.

O mundo precisa de pessoas mais emotivas. E o mundo não dá espaço para os frágeis. É cada vez mais necessário que as pessoas sejam solidárias e boas. Precisamos, na minha opinião, ter bases emocionais sólidas para construir qualquer coisa, tanto no sentido sentimental quanto material.

Mas não adianta apenas se comover. São necessárias ações. Insistência. A cada dia aprendo a ser mais aquilo que eu idealizo. Afinal, viver é aprender. E sempre aprendo a ser melhor. Reflito, percebo e mudo. Esse é o ciclo vicioso que cerca os meus dias.

E você? É emotivo ou frágil? Ou nenhum dos dois? Não está na hora de ser mais? Ou menos? Perceba-se, e mude-se!

sexta-feira, maio 29

Retomada

Sei que não posto aqui há tempos. Mas nunca é tarde para um post.
Talvez eu não tenha postado por falta de inspiração, por falta de concentração, por falta de reflexão...

Esse começo de ano foi extremamente turbulento para mim. Tudo mudou. E, embora tenha pensado no começo que a mudança tenha sido para pior, percebo, hoje, que não. Que eu estou crescendo. E que crescer, em todos os aspectos, é algo bom. Mudar, na maioria das vezes, é bom.

Percebi que agora o mundo me pertence. E eu pertenço a ele. E que ninguém poderá me defender dele. Mas ninguém impedirá de me jogar nele.

Fiz uma promessa para mim mesmo. Prentendo retomar os posts do Infinito. Escrever é acolhedor para mim. As coisas que eu escrevo fazem eu encarar a minha vida, os meus pensamentos. Meus escritos tornam-se avalanches cheias de verdade, vindas de todo o conhecimento, leitura e pensamento que eu tivera até então.

Escrever é divinamente bom. Me acalma. O esturpor que me causa ao escrever é indescritível. É terapêutico.

Só quem escreve e sente isso sabe o que eu estou dizendo.

Quero retomar o meu vício de escrever. E quero retomar o quanto antes.

segunda-feira, março 16

Angústia

Mudança.

Estou passando por uma série de mudanças. De conhecimento, de comportamento, de cidade, de vida... E, como todo bom ser humano, estou inquieto por não estar tão cômodo quanto eu estava antes. Angustiado. A angústia se instalou em mim e, por mais que eu deseje que ela vá embora, eu não consigo.

Mas não é aquele tipo de angústia que não te deixa dormir, ou que faz você roer unhas ou algo do tipo. É uma angústia sincera, simples e quieta. Ela é até um pouco triste. Se instala quietinha, lá dentro do meu peito. E quando eu estou sozinho, ela sai de sua jaula e, como água corrente, se espalha pelo meu corpo.

Invade minha mente, e faz com que eu questione tudo aquilo que eu consegui. "Será que está valendo a pena?", ela pergunta.

"Você está sinceramente feliz, Luiz?".

E eu respondo com meu silêncio e pensamento. Respondo com a minha reflexão. E essas malditas questões passam a integrar meu cotidiano. Fazem com que eu me questione durante o dia inteiro.

Sei que isso é temporário (ou eu imagino que seja). Talvez essa angústia tenha surgido pela saudade, pela mudança, ou pela incerteza do que quero.

Até quando? Até quando isso vai acontecer? Será que vou passar esses meses com esse sussuro incerto nos meus ouvidos, me questionando, me interrogando sobre ser feliz?

Não sei. Só sei que, antes de tudo, antes de USP, antes de qualquer coisa, eu quero ser feliz. Dizem que existem muitos caminhos pra se alcançar essa felicidade (que eu acredito não ser eterna); e eu escolhi um.

"Será que o certo?". Ohh... C'mon! Shut the fucking up, you stupid mind.

terça-feira, fevereiro 24

Conquistas

Sou do tipo de pessoa que é insistente até o último fio de cabelo. Se creio que aquilo é o certo, eu não desisto. Não largo o osso. Simplesmente eu sou assim. Convicto. Insistente. E determinado.

Durante a minha vida de estudante, meu objetivo foi passar no Vestibular. E passei. Passei na melhor faculdade da América Latina. E me senti muito orgulhoso. Passei no curso que eu queria, e me senti satisfeito com a minha conquista.

Mas, ao mesmo tempo, me senti vazio. Eu me empenhei tanto, mas tive uma satisfação momentânea, algo passageiro e rápido. Nada muito significativo perante ao esforço realizado.

Quantas conquistas eu terei que ter para me sentir feliz, de maneira definitiva e completa? Será que a felicidade da Vida está atrás desses troféus? Ou será que as conquistas são apenas escalas para que possamos viver melhor?

Não sei... Definitivamente, eu não sei. Mas o que eu sei é que não posso parar. Sonhar, lutar e realizar. São três verbos que fazem parte de todos os dias da minha vida. Muitas vezes, pareço acomodado e preguiçoso... Ledo engano... Quem me vê assim, não vê quem sou.

Chego à conclusão de que, nessa vida da Terra, não há felicidade eterna. Até porque, não estamos aqui para sermos eternamente felizes. Estamos aqui para aprender sobre a Vida, e sobre os nossos erros e defeitos. Mas isso é assunto para um outro post. O que eu quis exprimir aqui é que não há felicidade e nem tristeza eternas.

Nossa vida, aqui, é feita de momentos felizes, momentos de dor e de amor. Momentos que nos marcarão pelo resto de nossa eternidade.

Talvez seja por isso que sou tão concentrado em minhas metas. Porque elas trazem momentos de felicidade. Eu só gostaria que tais momentos perdurassem por mais tempo. Poderiam ter sido até menos intensos, em troca de um prolongamento maior...

E, pra terminar, um trecho de uma música que eu gosto muito e que reflete bem as minhas atitudes.

"This is who I am
You can like it or not
You can love me or leave me
Cause I'm never gonna stop, no no"

domingo, janeiro 25

Inspiração

De uns 5 meses pra cá, eu comecei a perceber uma característica muito curiosa em mim.

Quando eu assisto a algum tipo de filme, ou seriado, ou minissérie, que, de certa forma, consiga passar uma emoção ou alguma mensagem que toca lá no fundo, eu me inspiro.

As palavras brotam na minha cabeça. A cabeça já imagina cenas, situações, frases, conjunções.
Cartas para ninguém são escritas, e uma satisfação rompe no peito.

Me sinto completo quando consigo escrever com o coração. Acompanhei todos os capítulos de "Maysa: Quando fala o coração". A vida de Maysa, sob uma direção de arte e de atuação impecável, aliados à direção-geral de Jayme Monjardim, fez com que janelas fechadas fossem abertas.

Tudo naquilo me inspirava. As cenas, os amores, as tragédias e, principalmente, as músicas.
Ahhh! As músicas! A voz de Maysa Matarazzo transborda sentimento triste e forte. Causa algo semelhante ao que acontece quando ouço Evinha, que tem uma voz mais sincera e energética.

Cheguei a escrever vários contos após assistir a filmes que me inspiraram. Às vezes eu os apago. Às vezes, os conservo nos confins do meu HD. Mas o importante é que eu escrevi. E que experimentei daquela sensação de estar integrado com si mesmo e com o Mundo.

Porque a meta de vida de uma de minhas facetas é ser um escritor que consiga exprimir com clareza e com sinceridade aquilo que está preso dentro dele. Mostrar ao mundo do que ele é capaz.

Estar perto de si é estar perto da essência de tudo. E estar perto da essência de tudo, te deixa perto do Mundo. Nada trás uma sensação melhor do que estar integrado com o Mundo.

Acho que é por isso que eu mantenho o Infinito Particular. É simplesmente uma pasta de manuscritos onde eu posso oferecer as minhas idéias às pessoas. É algo tão pessoal, mas quem disse que o que é pessoal tem que estar restrito aos limites da sua mente?

Não tenho medo e nem vergonha de me expor. Se expor aos outros te deixa forte. Faz você perceber que a Vida é muito mais que opinião dos outros. Faz você perceber o quanto é superior aos outros, que por não terem nada melhor para fazer, fazem chacotas de suas idéias que, no fundo deles, gostariam de ter tido antes.

Sim, é difícil estar um pouquinho a frente do esculacho popular.

quinta-feira, janeiro 15

Ansiedade

- 2008 em números -

6 marca-textos
Cerca de 300 (ou mais!) folhas para anotações
1 bloco com 150 Post-It's
Cerca de 1000 (ou muito mais!) exercícios resolvidos
Litros e mais litros de água, café e chá verde
Cerca de 2 cartelas de Anador
58 posições diferentes para estudar
365 (ou mais!) preces para me concentrar
1 borracha
5 canetas Bic
2 caixinhas de grafite 07
Centenas de Tarefas Mínimas e Complementares
Entre muitas outras conseqüências de HORAS E HORAS E HORAS de estudo!

2008 foi o ano que, de longe, eu estudei mais.

Horas em cima de exercícios, centenas de livros, livros e livros, esquemas loucos para decorar Biologia, regras cômicas para lembrar de Química, milhares de exercícios!

Enfim, tive meus métodos. E tive as minhas chances para mostrar que todo esse esforço causou um resultado bom. Agora, um antigo sentimento está me arrebatando: a ansiedade.

Sou muito ansioso. Muito.
Minha ansiedade é mental. Não consigo controlar. Tento desviar minha atenção para certa atividade, mas lá está ela, me lembrando que o resultado sairá daqui a 14 dias.

O resultado.
Vamos falar sobre ele.
Minha vida, com certeza, mudará depois dele. Se for aprovado, mudarei de cidade, de grau de estudo. Se não, será um ano intenso. Com todos aqueles números lá em cima do post multiplicados por 2 (o que não é pouco).

Ai, ai... Esse resultado, viu. 14 dias.
14.
Dias.
De.
Ansiedade.
Pura.
E.
Sublime.

14. Dias.

Como eu queria um resultado antes!

sábado, janeiro 10

Índia e Eu

Desde pequeno, sempre tive um lado transcedental.
Sempre gostei de magia, de coisas fantásticas e incríveis.
E sempre, sempre, fui apaixonado pela Índia.

Hoje de tarde, assisti um filme que marcou, mesmo que seja de uma forma inconsciente, a minha infância. Ele mostrava a estória de uma garota que foi deixada numa escola de boas maneiras na Inglaterra, enquanto seu pai foi combater na 2ª Guerra. Eles, antes de mudarem para Londres, moravam na Índia, local onde a garota tirou inúmeros contos que, cá pra nós, são interessantíssimos.

Enfim... O filme é bonito e tudo, mas ele resgatou em mim o faz-de-conta. Ahh... Como era bom brincar de faz-de-conta!! Sério... Eu adorava. Passava a tarde e a noite inteiras brincando disso com o pessoal da rua.

Uma hora éramos comissários de bordo, num avião que caía numa ilha deserta; outra, éramos empresários ricos que andavam de limusine; outra, éramos cientistas... Era muito bom.

E esse passado, hoje, parece tão distante. Tão onge dessa batalha de Universidades, de anseios, de valores. Mergulhei numa piscina de ideologias, onde animais desfigurados querem a minha cabeça. Enquanto a imaginação era o começo do meu trampolim, do meu porto seguro. Onde eu só admirava, lá de cima, aquela piscina movimentada chamada Vida.

Eu vivia, é claro. Mas não estava vivendo no mundo que a maioria das pessoas vivem. A Piscina.

Queria escalar meu trampolim, e de lá não sair. Não queria mergulhar ainda mais fundo. Mas ando percebendo que existem salva-vidas nesse mundo tão encharcado de interesses e ganância. Queria estar alheio a isso. Queria perceber que essa piscina, na verdade, poderia ser um tanque de águas calmas e gentis, onde o Respeito prevalecesse.

Mas voltando à India. Adoraria conhecer mais sobre a cultura, culinária e deuses. É um povo pobre. Mas riquíssimo. Entende?

A profusão de dourados, vermelhos, laranjas, amarelos. Enfim, com aquele azul impactante da pele dos deuses. Tudo na Índia é sacro. Tudo é minucioso, cuidadoso. Tudo é tão... Tão perfumado, tão diferente.

Amo-te Índia.

Serás meu 2º destino, quando sair do Brasil.
O 1°? Continue a ler.

sexta-feira, dezembro 5

Idealizações e a Realidade

Um dia desses estava andando na rua, sem fones de ouvido, concentrado nos meus próprios pensamentos. Mas nada de muito positivo. Na verdade, eram pensamentos de insatisfação.

"Ahh, como eu queria ser rico!"

"Ahh, como eu queria ir no show da Madonna!"
"Ahh, como eu queria um iPod, um notebook, um Ray-Ban, um apartamento legal, um New Beatle preto, um labrador..."

E eu parei. Parei, literalmente. Me deparei com uma moça, acho que um pouco mais nova do que eu, com uma criança no colo.

- 'favor moço, cê num tem um troco pra eu comprá um leite pro meu filho?

E eu fiquei sem reação. Tinha R$ 5,00 na minha carteira.

- Me desculpe, mas isso é tudo o que eu tenho - respondi, com uma angústia, uma vontade de pegar aquela menina tão judiada, tão coitada, e ajudá-la.
- Deus abençoe...

E eu continuei parado, com olhos d'água, me sentindo a pessoa mais egoísta e mesquinha do mundo. Como eu não ajudava todas essas pessoas? Como eu, que sempre me considerei alguém caridoso, pude ficar tão desconectado assim da realidade.

Sei que o Espaço no qual passamos é o palco de muitas realidades distintas. As ruas nas quais carros importados passam, são as mesmas que pessoas sem futuro e perspectiva se encontram perdidas, pensando no que farão para conseguir se alimentar, persistindo numa vida de penúria.

Esse episódio puxou um conhecimento que há tempos estava guardado dentro de mim, devido à correria e à preocupação com o meu futuro.

Lembrei que Gratidão é algo essencial na nossa vida. Temos que nos voltar para nós mesmos, através de uma oração, ou meditação, para perceber o quanto somos abençoados e afortunados por termos um sentido para nossas vidas, uma casa que podemos voltar depois de um trabalho que, felizmente, executamos.


Acho muito importante sonhar. Os nossos sonhos são o combustível para que continuemos na batalha, em lutar. Mas não podemos idealizar.

Idealizar algo é ignorar as oportunidades que a Vida nos oferece. É ser egoísta e imaturo. É não ter o mínimo de gratidão. Quando idealizamos, por exemplo, que o carro perfeito é uma Ferrari, inconscientemente, excluímos outros que, tecnicamente, servem para a mesma coisa: locomoção.

O limiar entre o sonho e a idealização é muito tênue. Tão tênue a ponto de eu duvidar que você, Leitor, captou a mensagem que tentei passar.

Sonho é desejar algo, é usá-lo para lutar e vencer.
Idealizar é excluir o que a Vida nos proporciona.

Idealização tem a ver com status. E status tem a ver com Orgulho. E Orgulho tem a ver, na minha concepção, com uma espécie de escudo para proteger um interior de vidro e cinzas, tão sensível, tão baixo estimado.

Portanto, pare de idealizar e comece a sonhar. Se abra para as oportunidades que a Vida lhe dá. E as aceite, sem pestanejar, sem reclamar. Jogue o Orgulho no lixo, e lembre-se que, enquanto você pensa em iPod's, notebooks, Ray-Bans, apartamentos, carros e Labradores, existem pessoas, bem ao seu lado, necessitando de comida para que seu filho consiga sobreviver.