quarta-feira, outubro 15

Na Tristeza as palavras fluem


Me estressei.

Chorei. Chorei. Chorei. Esbravejei contra o mundo e contra todos. E chorei.

Contra o dinheiro. Contra o Capitalismo. Contra o meu esforço de reverter a situação na qual me encontro. Contra o Comunismo. Contra a vida. E contra a Morte.

E depois ele veio.

O Silêncio Triste me dominou.

Eu, indo de metrô, ouvindo Neil Young. E as lágrimas saltavam como se tivessem vida. Como se fossem vivas. Uma mistura de fingimento e verdade. Uma mistura que fez com que uma moça tirasse um lenço da bolsa, e me entregasse. Não o usei. Só agradeci.

Naquele momento, tudo se juntou. Tudo se fez único. Podia sentir a minha mente criando textos sobre a tristeza e a dor. Podia sentí-los fervilhando na minha cabeça. Ahh! Como eu queria ter uma máquina de escrever ali. Digitaria ali, digitaria e digitaria.

As pessoas me olhariam com um olhar curioso e excêntrico. Mas me olhariam. E eu escreveria. Mas nesse fluxo de devaneio, o sinal de descer tocou. E eu saí do trem.

E segui o meu destino insólito contra a permissividade e crueldade da vida que levo.

Mas o Neil Young continuou tocando. E eu andando. E as pessoas vivendo.

E eu aqui. Escrevendo... Escrevendo... Escrevendo...

segunda-feira, outubro 6

Passaportes, nós?

Sinceramente, me sinto um passaporte.

E não é desses de uma pessoa que viajou uma vez para a Argentina, voltou, e o jogou no cofre.
É desses passaportes de pessoas que viajam pelo mundo inteiro!

"Mas, Luiz, por que passaporte?"

Vou explicar a analogia. Assim como um passaporte que recebe inúmeros carimbos, me sinto "carimbado" pelas pessoas. Sim, verdade.

Parece que para ser uma boa pessoa, você tem que ter os seguintes carimbos: "Não jogue lixo na rua"; "Faça caridade"; "Reze todas as noites"; "Vá à missa aos Domingos"; "Seja sempre bom com os outros", dentre outros. Se falta um desses, "me desculpe, você não é uma boa pessoa".

Ahh... É muito pra minha cabeça.

Para você ser um cara adolescente: "Cuspa no chão"; "Seque 'as mina', brow!"; "Comente alto sobre a bunda da garota que passou"; "Prefira fazer horas de academia a ler".

É tão ridículo. É tão anulante, que eu tenho um medo dessas pessoas. Sério... Sério mesmo. Para mim, pessoas que compram essa idéia e a usam diariamente (inclusive para excluir aqueles que são aquilo, e não tem todos os carimbos), são muito pequenas. Precisam de um plano de vida. Precisam se agarrar nessas convicções bestas para que, quando alguém as questione sobre aquilo que elas são, possam apontar os seus carimbos e dizer: "Olhe! Eu sou assim! Não precisa me questionar a respeito!"

Seria tão mais fácil rasgar esses passaportes. Fazer amizades. Expor nossas vidas, nos ajudar mutuamente. Mas não... Ser humano é ser humano, né. Tem que inventar comportamentos para classificar aqueles que são ou não daquele tipo.

Sou contra esses estereótipos bizarros. Sou contra essa fábrica de comportamentos que as pessoas levam consigo. Para quê? Para provar para alguém algo que nem está certo dentro de você mesmo?

Besteira, né.

As vezes, esse comportamento é tão inconsciente que não nos damos conta que somos adeptos dele. Quebre as correntes da incosciência, e descubra que você é muito mais! Seja livre para ser e fazer o que quiser! Só não esqueça do bom senso, e que fique máxima: "Faça o que quiser, desde que não maltrate nada ou ninguém".

E você? Já rasgou seu passaporte?

terça-feira, setembro 16

Futilidade

Me considero uma pessoa humanista. Mas sou um humanista só de emoções. Não faço muitas coisas pra colaborar com essas injustiças que assolam os telejornais. Tento reciclar o lixo, tento controlar o uso de água e energia, e vou com sacos orgânicos para o mercado, afinal, sacolinhas plásticas demoram uns trocentos anos para se decompor.

Mas, acho que a minha principal contribuição para com essas causas é a de não perder o vínculo com a consciência. Consciência de saber que vivemos num mundo onde um continente inteiro sofre de AIDS, passa fome, e é explorado até os dias de hoje. Consciência de que meu dinheiro, ao invés de ser gasto com anéis, perfumes e marcas de grife, poderia ser investido em ONG's. Enfim, hoje, ainda sou dependente, não trabalho. Porém, se você se incomoda com esses fatos medonhos de miséria, fome e peste, basta um passo, um começo, um início.

Ou será que você é tão desumano ao ponto de fechar os olhos para isso? Será que você é tão fútil assim? Acho que gastar um dinheiro muito alto em objetos de "status" é uma maneira de você suprir o buraco da auto-estima que há dentro de você; afinal, para mim, uma pessoa que faz esse tipo de coisa, deve ter uma auto-estima péssima.

Enfim... A Vida sabe o que faz.

Foi só um desabafo. Um bufo de indignação perante a futilidade alheia. Uma dica: procure se preocupar mais com o outro. Sei que num mundo onde o capital governa, as pessoas são menos calorosas, mais voltadas ao material... Mas quebre isso. Mesmo que seja só você. E não tenha vergonha de ser visto como "O Defensor dos Pobres". Se você tem condições, por que não ajudar ao próximo?

E esse post foi para mostrar a minha decepção com uma pessoa que pensei em ser algo que, realmente, não é...

sábado, setembro 6

Opinião Alheia e o que penso a respeito

Tenho uma conta no Orkut, assim como os milhares de brasileiros que têm acesso a Internet. Toda vez que acesso meu perfil e vejo alguém que o visitou, penso: "O que será que ele viu?"; "Será que ele acessou meu blog?"; "O que ele anda achando de mim?".

E tudo isso, toda essa auto-indagação, não é a título de preocupação. Porque, na verdade, eu tô me ferrando para o que os outros acham de mim, por mais maldosos e imbecis que sejam seus comentários. Já disse que o verdadeiro valor dos comentários não está no seu conteúdo, e sim naquele que os emite.

Mas eu queria ser uma espécie de éter, penetrar no consciente alheio, ver o que essa pessoa pensa, não só sobre mim, mas sobre tudo. Suas lembranças, suas memórias. Seus traumas, suas influências.

Para quem convive e estuda comigo, sei que pareço metido e chato pra caralho. Mas, se você realmente me conhece, sabe que eu respeito muito o espaço do outro. E que não sou o tipo de pessoa efusiva, que sai por aí cumprimentando, conversando, perguntando. Sou comunicativo quando quero ser. E sei ser efusivo com quem vale a pena o ser.

Só espero que você seja sábio o suficiente para entender isso aqui. E sábio também para analisar a criticidade dos seus próprios comentários. De se por no lugar do alvo que os recebe, mesmo sem saber.

Depositar raiva, deboche e ironia no conceito de uma pessoa só empobrece a nossa alma. É uma questão de perda de tempo. Simplesmente, perda de tempo...

quinta-feira, agosto 28

Os cordões sociais

Quando nascemos, a quietude, a solidão positiva e toda a tranqüilidade do útero são rompidas. Somos expelidos do ventre de nossas mães, e o único cordão físico que nos liga à elas é cortado.

Quando crescemos um pouco, e os nossos sentidos começam a estar mais desenvolvidos, as influências começam a nos bombardear. A maneira como nossos pais falam e agem, os programas de TV, as músicas, as cenas que presenciamos... Enfim, tudo é base para o ser humano que se formará.

E quando somos mais crescidos ainda, as visões de sociedade, a visão política, juntamente com as nossas inseguranças e incertezas, tratam de moldar nossa personalidade. Cordões sociais começam a se formar. Começam a transmitir, diretamente, informações, modos de agir e pensar...

E é isso. Somos impulsionados a ser o que a sociedade quer. O Determinismo é uma das teorias mais significantes, para mim. O meio determina e nos molda, com certeza, principalmente quando não temos pensamento e personalidade formados, como na infância e adolescência.

Por isso que o adolescente maduro é valorizado. Na condição de maturidade, ele é menos suscetível à opinião alheia, conservando, assim, a formação que a família lhe deu. E, na teoria, isso sempre é bom.

Na teoria...

sábado, agosto 23

O rio mudou de fluxo. Novamente...

Até a 6ª série, eu queria ser veterinário.
Quando vi um médico fazer o parto de uma égua num desses canais de TV a cabo, perguntei pro meu pai o que era aquilo, ele disse: "Será você no futuro!".

Desisti da profissão.

Eu ainda não me conhecia. Foi quando no ano seguinte, quando uma professora minha me entregou uma redação, dizendo que era um dos melhores textos feito por alunos que ela já tinha lido. Eu fiquei sem graça. E perguntei no que uma pessoa boa de escrita trabalhava, e ela respondeu: "Jornalismo!" - com aquelas bochechas rosadas.

Ok. Jornalismo foi a minha meta durante a 7ª, 8ª, 1° e 2° ano do Fundamental e Ensino Médio.

MAS, nesse interim (adoro essa palavra), comecei a fazer Teatro. E me apaixonei. E me viciei. E me desesperei, porque queria seguir a carreira; me dedicar 100% ao Teatro. Então decidi, em meados de 2008, prestar Artes Cênicas.

Mas a questão econômica pesou. E eu fui amando, com o passar dos meses, Biologia. Na verdade, lembro como se fosse ontem, de um trabalho sobre alimentação que tinha feito na 5ª série. Tinha adorado fazê-lo. Pesquisar sobre vitaminas, o que elas fazem com os nossos corpos. Enfim...

Agora farei Nutrição. Mas eu ainda adoro animais. Ainda escrevo bem. E ainda sou um ótimo ator.

Não abandonei o Teatro. É isso que me faz sentir o sangue nas veias. As emoções nos arrepios. É as dores no coração. É ele a magia da minha vida.

quinta-feira, agosto 21

Texto que compus ouvindo "Slave to Love" de Róisín Murphy

"Corra! Corra contra a parede.
Derrube-a. Derrube seus limites, suas concepções.
Entre em êxtase. Perca as percepções.
Mostre as emoções.
Parta corações!
Seja você, sem se perder na vontade de ser mais alguém.
Queira a singularidade na vida, na dança e no choro.
Seja ritmado, compassado. Engraçado. Bem-Humorado.
Quem gasta a vida no mau-humor não merece ser valorizado.
Ria de mim. Ria deles. Ria de quem puder.
Você pode me machucar. Mas nunca me romper.
Esse texto dedico à mim. E ao mundo. E à unicidade de cada vida.
Ao seu riso incrédulo, aos seus comentários depois.
E às palavras tórpidas que sairão da sua boca sobre mim.
Sobre você.
Sobre nós dois".

segunda-feira, julho 28

Peixes, os amigos do meu aquário

Não é novidade, nem pra mim, e nem pra quem leu boa parte desse blog, que eu me sinto, às vezes, deslocado do resto do mundo. É como se eu girasse no sentido contrário do planeta. É como se eu fosse um peixe em um aquário, enquanto o resto do mundo me observasse e batesse seu dedo no vidro.

Porém, isso não é ruim. Só me sinto incomum. Estranho. E atemporal. Sim, é isso. Atemporal. Sou atemporal. Princinpalmente quanto ao resto dos outros garotos, que curtem rock, são agressivos, cuspem e peidam em público, e acham tudo isso tão divertido e inebriente. Na minha opinião, essas atitudes (dignas de, digamos assim, símios) são exteriorizações de um íntimo conturbado e inseguro. Talvez sejam reflexos de uma auto-afirmação causada pela pressão que sua própria família e meio em geral exerceram durante toda a vida.

As reticências da frase "Homem que é homem..." são tão estúpidas e arcaicas, que, hoje, eu rio ao ouví-las. Ahh... Como eu rio. E rio mais ainda daqueles que a seguem. São apenas peixes nadando na correnteza das influências cegas e tolas. Enquanto eu nado contra; persisto em ir contra. Porque eu não sou assim. E nem seria. Não tenho a coragem de entregar a minha vida, e vivê-la, de acordo com bobices. Sou bem seguro quanto ao que sou. E não preciso de uma correnteza dessa "magnitude".

É isso. Um desabafo de final de julho. Só para fechar o mês com, ao menos, um post.

E para quem quer que esteja lendo isso: seja o que você é. Lute com unhas e dentes para moldar os seus limites dentro dessa sociedade. Encontre seus ideais, e os venere e os proteja. E para quem se encontra em situação parecida com a minha, saiba que não está sozinho. Nunca estará...